A questão parece simples. Ou, melhor, a pergunta. No entanto, ela sempre foi complexa e heterogénea. Há vários tipos definições de educação. A mais simples é dizer que educação vem do latim[1] e
significa o que está na nota de rodapé de esta página. No entanto, tem significado para discutir, como esse o de domesticar. Não tenho esquecido três definições fornecidas por mím, em vários textos meus. Um desses textos, é um livro meu que cito ao pé de página[2], livro no qual, após ter analisado com uma larga equipa mais de 40 crianças da aldeia de Vila Ruiva em Portugal, Concelho de Nelas, concluí que educar era formar cidadãos para os subordinar às formas e costumes de ser do nosso país. Aliás, para fazer de eles pessoas impingidas de saber social. Nunca esqueço esses anos de 1988-1989, dias em que imensas crianças nos acordavam às seis da manhã para começar os nossos trabalhos entre as 9 e as 12 horas da manhã dos verões escaldantes do lugar. Eram crianças entre os cinco e dez anos, hoje em dia todos profissionais de alguma parte do saber cívico ou com profissões que eu denomino doutorais. Doutorais, por haver dois tipos de saberes, o da mente cultural, definida no texto citado, conceito sobre o qual tenho um direito de autor oferecido a mim pela Sociedade Portuguesa de Autores ou SPA, conceito deduzido da minha observação de ver como os pais ensinavam as suas crianças: “pega no livro, vai ao quarto e lê, caraças”. Os pais mais nada podiam dizer, eles próprios nunca tinha ido à escola, ou se tiverem estado, era para se distrair a pensar no que mais amavam, semear batatas. O convite ao estudo não era por isso pouco amável, era a ambição de progenitores a quererem ver aos seus descendentes angariar a vida, impingindo o seu saber na interacção social. Objectivo bom, mas mal entendido para que os pudesse orientar dentro das avenidas do saber doutoral, esse saber pretenso de ser conhecido por poucos mas solicitado a todos. Especialmente hoje em dia, ao ser mandado aos docentes de qualquer grau de ensino, avaliar a sua actividade, um dia após outro. Esta avaliação que acaba por esmorecer a actividade dos docentes: preparar aulas, estudar para saber o quê dizer, escrever ideias novas de academia, explicar cada palavra da sua aula e, no fim de um dia bem ganho com a canseira de falar o dia todo no intuito de fazer dos mais novos cidadãos sábios, ou pelo menos submetidos ao braço da lei, reunir todos eles para, como hoje está mandado, avaliar o desempenho do dia. Dia que começam às 8 da manhã e acabam tarde, quase noite, pelas 20 horas. É este modelo que tenho auscultado ao analisar crianças Picunche, no Concelho de Pencahue, Província de Talca, no Chile do falecido ditador. E é este mesmo modelo que manda aos municípios, homens de política, orientar as escolas primárias e secundarias de sua jurisdição, o que em Portugal, seria uma Freguesia. Parece-me que o conceito freguês é adequado: obediência, disciplina, ver, ouvir e calar. Formas ditatoriais de definir a transferência de saberes de uma geração a outra, sem um carinho que arrebite o cansaço dos mais novos ou premeie com mais um dúzia de tostões, o deboche imerecido da exaustão desse desmerecido fim de dia. Especialmente entre os docentes de ensino especial, que reúnem sempre, dia após dia, para comparar a metodologia de João de Deus, trazida para nós por essa grande minha amiga, antiga subsecretária da educação,
[1] Do lat. educare v.educarev. Tr., desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e morais a; instruir; doutrinar; domesticar; em: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resu
[2] A construção social insucesso escolar. Memória e aprendizagem em Vila Ruiva, 111 páginas, especialmente página do livro em formato de papel: p.87, Capítulo 8: “A sabedoria das crianças”, Escher (antes) Fim de Século hoje, 1990 a, em várias entradas Internet de: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&o
O Juiz de Aveiro é o titular do processo "Face Oculta" e o que acontece em Lisboa nada tem a ver com a instrução que corre no local.
O Juiz já informou que não irá destruir as escutas que fazem parte integrante do processo e que são relevantes para o apuramento da verdade. E que podem servir de prova aos arguidos no processo.
As escutas foram autorizadas para seguir Vara, são da inteira responsabilidade e da competência do Juiz titular local. E todos os indícios que apontem para comportamentos criminais, sejam de quem for, têm que ser investigados. Não pode ser de outra maneira, como está bem à vista de quem quer ver.
Se e só se a escuta tivesse como objecto o PM é que seria necessária uma autorização prévia do STJ. Índicios encontrados nas escutas, envolva quem quer que seja , são da competência do Juiz de instrução local. Claro, que em Lisboa podem sempre destruir as escutas, até podem destruir a verdade, não podem é escondê-la !
Com esta posição do Juiz, com o interesse de Manuela Moura Guedes se constituir como assistente do processo e com os advogados dos arguídos a mandarem recados públicos, para o processo ser extinto, tudo se conjuga para termos aqui uma bela caldeirada.
Alguma vez "as cabalas", "as campanhas negras" ou "a espionagem política" se transformarão em acções resultantes do Estado de Direito em que supostamente vivemos.
Aqui está o tipo de "democracia" que os do Centenário querem fazer-nos comemorar!
"Hontem, por volta das 9 horas menos um quarto da noite, o sr. José Pereira de Sampaio (1) descia, só, tranquilo e socegadamente a rua Sá da Bandeira, desta cidade. Atravessou a rua, vindo da tabacaria Gonçalves, o dr. Affonso Costa, acompanhado de vinte indivíduos, aproximadamente. Subito, o dr. Affonso Costa, dirigindo-se ao sr. José Sampaio, berrou-lhe: - Ah, seu canalha! E, levantando a mão armada de um "box de ferro", assentou-lhe uma forte pancada na cabeça. Logo, os indivíduos que acompanhavam o dr, mettendo-se na contenda, agarraram os dois, mas permittindo que o dr. Costa continuasse aggredindo violentamente o sr. José Sampaio. (...)"
Jornal Voz Pública, 12 de Janeiro de 1902
(1) (Sampaio Bruno, que entretanto se desfiliara do Partido Republicano)
Atirado para o caixote do lixo da história o tão defendido modelo de avaliação de professores e abolida a obtusa divisão da carreira entre professor e professor titular, em breve se poderá dizer que Maria de Lurdes Rodrigues nunca existiu.
Ou melhor, existiu em forma de nódoa. Estas nódoas saem com terebentina. E ontem, no Parlamento, já começou a sair.
Hoje os jornais e televisões arranjaram uma notícia que diz tudo dos métodos a que estes senhores da Comunicação Social, recorrem, para vender .
O José Godinho, o preso, esse, ganhou seis concursos públicos lançados pelo exército.
É óbvio que estes concursos públicos para terem resultados agora, foram lançados há vários meses atrás, quando não havia "Face Oculta" nem o Godinho estava arguido, nem acusado e muito menos preso. Depois, quem concorre, são as empresas e não o sr. José Godinho, entidades distintas. Como lembra, aí em baixo o José Magalhães, as empresas sucateiras continuam a precisar de fazer negócios, pois têm vencimentos para pagar.
Mas, os senhores jornalistas, usam mais crimes para fazer notícias do que os crimes que supostamente noticiam. É que agora já aí temos os gentios a dizerem que até o exército...
No entanto, esta falsa notícia não tem castigo e percebe-se bem porquê. Alguns agentes da Justiça precisam dos jornalistas e estes precisam de vender papel para ganhar a vidinha, e portanto, tudo isto é um círculo mafioso em que notícia encobre o que importa e lança suspeitas. O sr Godinho ganhou? ah! aí está mais uma "Face Oculta"!
Difamações que deviam envergonhar estes senhores que se dizem jornalistas, que se humilham, diariamente, a fazer fretes.
Bastava falar, previamente, com um representante do exército, não era?
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MARCELO DEIXA ANTEVER UM REGRESSO
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A ala caquética do P
SD anda contente. O Professor Marcelo deixa, nas entrelinhas e em privado, perceber, que em Janeiro, quando a actual líder marcar as directas, avança para lutar pela liderança.
Passos Coelho, não vai ter vida fácil nessa luta.
Não estou convencido de que Rebelo de Sousa seja o melhor para o partido, e muito menos para o País, do mesmo modo que me parece que Passos Coelho, também o não é. Mas pelo que se vai vendo, não aparece ninguém, com perfil e capacidades para se candidatar, e mudar radicalmente o PSD. Este partido tem de deixar de seguir, para ser seguido, ou corre o perigo de, aos poucos, passar a ser um partido marginal. E nem um nem outro dos candidatos, parecem ter o necessário para o conseguir.
Com o sr Professor Marcelo, regressamos a um certo passado que não tem muita glória. Com o sr dr Pedro, avançamos sem a força e o carisma necessários para fazer a diferença.
Os deuses nos ajudem, antes que o céu nos caia em cima da cabeça.
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A Somália vive há anos mergulhada no caos. Assolada por terríveis secas, dilacerada pela guerra civil, dividida entre as forças que apoiam o governo interino e a União das Cortes Islâmicas, sem um governo central, sem uma força policial organizada que actue em todo o território, com uma esperança média de vida que não chega aos 50 anos, uma economia tão esfrangalhada que 3 milhões de xelim somalis só valem 100 dólares americanos, considerada pela ONG “Transparência Internacional” como o país com a governação mais corrupta do mundo, e com as águas ao largo do Corno de África pejadas de piratas, a Somália é um dos infernos na Terra.
A "vox populi" pensa que a montanha vai parir um rato.
Até pode ser verdade.
No entanto, sente-se já no terreno um efeito muito positivo: basta falar em Ministério Público para as entidades adjudicantes começarem a tremer e recearem as costumeiras ilegalidades, tendo abandonado a postura do quero, posso e mando, para algo mais parecido com o " deixa ver se passa". O que é um avanço poderoso no combate à corrupção e ao tráfico de influências.
Não é a mão de Deus. A mão de Maradona foi um prodígio de classe, "apenas" deu o que faltava ao "génio" de Maradona. Altura!
Dois jogadores a disputarem uma bola, a sós, em plena área onde o inglês podia ir com as mãos acima do seu 1,90 m de altura. A mão de Deus foi necessária para dar sentido à disputa.
Ainda hoje é dificil ver se anda, ou não, ali a mão de Deus. É tudo bonito, como de um bailado se tratasse.
A mão de Henry é a mão do "diabo", não é mão subtil, é mão, braço e ombro "sucateiros", arrebanha ganancioso uma e outra vez, face oculta de um querer vencer de qualquer jeito.
A mão de Maradona faz-nos sonhar,como tambem o teatro é fingimento, que nós perdoamos por ser tão belo e sonhamos. É o segredo do poeta esse "fingidor" criador de beleza a partir do nada.
E entre os dois há a mão de Vata a dar sentido humano a Deus e ao diabo, uma mão humana, receosa, envergonhada.
Foi o vento...
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FOMENTA-SE MAIS DESEMPREGO?
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Segundo a notícia dos jornais, uma das empresas do sr Godinho, ganhou mais um concurso.
Segundo os mesmos jornais, até parece que a dita empresa, a O2, nem deveria concorrer, ou concorrendo, não deveria ganhar.
Que querem estes senhores? Que pelo facto de o gestor da empresa estar com processos em tribunal, e indiciado pela prática de crimes, a empresa feche? E quem lá trabalha, não importa o que lhes acontece?
Será que já não há mais limites ao que se deixa entreler nas notícias?
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Pela primeira vez o número de pessoas que não trabalham em Portugal ultrapassou as que trabalham!
Infelizmente, vitória atrás de vitória, o PS e o seu governo vêm caminhando, apressadamente, para a derrota final do país.
Maior desemprego de há 23 anos a esta parte, (10%) ; Déficite 8% ( não contando com a desorçamentação ); Dívida pública , acima dos 100% do PIB;
Ontem, na SIC -N , o Prof João Duque, admitia a hipótese de o governo não ter dinheiro para pagar o subsídio de Natal.
A UE aponta para um período de 8 anos, de estagnação da nossa economia, em que o PIB não vai crescer, o que quer dizer que não haverá criação de emprego. Haverá jovens entre os 30 e 40 anos que não mais terão emprego, a não ser que saiam do país.
A seita (oculta) que nos desgoverna ainda não está saciada. Estão desde 1996 no poder com uma interrupção de 2,5 anos, em que para nossa desgraça, esteve lá outro pândego, que ajudou ao afundanço.
E o Presidente da República, não diz nada sobre a má moeda afastar a boa moeda?
Como sabem cá o "je" frequenta lugares selectos onde se encontram pessoas selectas com quem se têm conversas selectas. Se não sabiam deviam saber e como tal, tudo o que vem aí a seguir não é da minha responsabilidade.
Poie é, hoje estive à conversa com a Dra Maria de Lurdes Rodrigues. Ela na mesa dela e eu na minha, mas ao lado um do outro. Ela não falou para mim e eu tambem não falava para ela, mas ouvíamos o que eu estava a dizer aos meus amigos conservadores (todos querem que os professores deêm ao pedal para chegarem ao topo) e eu ouvia o que ela estava a dizer aos seus amigos.
E às tantas estavamos num estranho diálogo, tendo como fundo a bela parede que está coberta pela arte de Keil do Amaral.( quem não sabe onde é, fica por aqui, porque se nunca bebeu um café a olhar para aquela maravilha, bem, estamos conversados) eu a falar para os meus colegas mas a responder ao que a ex-ministra dizia aos (dela) colegas de mesa.
Os meus amigos diziam tão mal dos professores que ela às tantas já olhava para a nossa mesa a ver se a ideia era mesmo estragar-lhe o fim de tarde, ou se teria ali encontrado os únicos apoiantes da "sua" avaliação. Uma das minhas amigas, até é professora, e dizia que não, a profissão é do pior, ter que aturar meninos que não têm educação nenhuma, etc e tal, o habitual, e os outros todos a dizerem que isso são os ossos do ofício...
Bem, adiante que é preciso ir ao que interessa. , e o que é que interessa, perguntam vocês, o que interessa é que eu às tantas com este meu feitio de comerciante, antevi logo ali melhorar as audiências do Aventar e vá de dizer alto e bom som que aqui escrevem alguns dos mais empernidos anti-Prof Lurdes , escrevem coisas que eu nem me atrevia a repetir tal era a falta de bom senso que grassa por este blogue, no que à Educação se refere.
Com nomes! Por isso não é de estranhar que entre os nossos leitores alguem esteja muito atento ao que hoje aqui se escreve. E esta história do "calendário" não abona em nada os "nossos" professores...
Eu tenho dois sobrinhos que são os meus segundos filhos. Vi-os nascer e crescer era eu solteiro. Peguei-lhes ao colo. Vi as primeiras fraldas a ser mudadas (à distância que o meu fígado é uma menina mimada). Senti sensações nunca antes tidas nem tão pouco imaginadas. Fui solidária inúmeras vezes na hora de “virar o barco”. Não esqueço os momentos à mesa nos jantares em família, a verdadeira Palestina, com intifada e tudo. A minha mulher, antes de o ser já era a “tia” deles e como eles sempre a acarinharam.
Entretanto cresceram e a Mafalda nasceu. Era a nova prima que eles defendiam com unhas e dentes na escola (até ouvi dizer que o Manuel e a Renata tiveram de afiambrar nuns quantos em defesa da prima rebelde e assim se tornaram os heróis da miúda). E eles continuaram a crescer. Agora tenho uma mulher e um homem como sobrinhos, ambos da minha altura, uns matulões. Uma matulona e um matulão. A Renata criou um blogue para um concurso da escola e eu, como tio orgulhoso e babado, aproveito o Aventar para o publicitar. Claro que é o olhar de uma adolescente sobre o mundo que a rodeia mas de uma adolescente especial, não por ser minha sobrinha mas por ser mesmo especial. Nos gostos musicais, nos gostos literários, na forma de ser e estar, no modo como olha o mundo, na forma com sabe separar o trigo do joio quando o tio a tenta influenciar nas suas escolhas culturais. No seu Mentalfetaminas aborda uma discussão tida comigo por causa de Homero. Ela nem imagina mas quando eu tinha a sua idade actual, se me falassem em Homero ficava a matutar: “em que clube joga o gajo?”. É por essas e por outras que eu não sou especial e ela é.
Agora, terminou a treta e toca a clicar AQUI!
E já agora, venha a música para ela recordar o concerto no PA...:
Abibe Tal
O abibe era muito feio. Negro como um tição. A única coisa que no seu corpo branqueava eram os dentes, inseridos à distância da boca. Mas tinha um coração grande, muito maior que a feiura. Não o coração de carne que lhe batia no peito, mas o irmão gémeo, o coração dos sentimentos e dos afectos.
O Abibe pertencia à milícia e era nosso empregado, ajudando na cozinha e na limpeza. Fez-se por sua livre vontade meu impedido, afeiçoado e amigo. Limpava o quarto, fazia a cama, conseguia arranjar uns mangos e umas bananas e tratava de tudo o que eu lhe pedia.
A densidade de incidentes bélicos no pequeno território da Guiné era muito maior do que nas outras colónias. A terrível fama da sua guerra alastrou como fogo. Comparada à do Vietname. Ser destacado para a Guiné constituía uma condenação ao apodrecimento e ao risco de regressar encaixotado. Os aquartelamentos eram rodeados de arame farpado e troncos de palmeira, com abrigos subterrâneos, frequentemente flagelados. Eu próprio ajudei a cavar trincheiras, ligando os nossos quartos às casernas e a uma enfermaria subterrânea, onde guardava soros e medicamentos de urgência, indispensáveis em situações de ataque. Em tais condições de vida, era grande o valor de um companheiro e amigo como o Abibe Tal.
Como o Ricardo Pinto recomenda que não escrevamos textos que não sejam apenas da nossa autoria, interrompo o que vinha a transcrever. Limitar-me-ei a textos meus que não ultrapassem as 20 ou 30 linhas.
Assim sendo, aqui vai uma pequena reflexão, após ter lido o bonito texto da Carla.
A avaliação de um ser humano, em todas as vertentes da sua vida, a sua natureza, o seu humanismo, o seu comportamento, a sua ética de vida, a sua actividade profissional, a sua relação com os outros, as suas capacidades, profissionais, literárias, artísticas etc. é uma avaliação profundamente subjectiva. Com efeito, cada um de nós é fruto de uma estruturação completamente diferente. Os caminhos da vida de cada um de nós foram e são diferentes, as emoções, os sentimentos e as vivências de cada um de nós nem sempre levam a que a nossa visão do mundo e das coisas seja idêntica. Há virtudes para uns que o não são para outros. Há verdades para uns que o não são para outros. E a vida é, ao fim e ao cabo, toda esta magnífica cultura da diferença.

O e-mail do Aventar foi inundado por críticas e insultos logo após a publicação deste «post» do aventador José Freitas. A mulher como simples bocado de carne posto à venda no mercado, a pornografia pura num blogue que se julgava sério, o «voyeurismo» de quem, no fundo, não percebe nada de mulheres. Os homens que gostam destas imagens são, afinal, os mesmos que vão às putas.
Estes foram alguns dos mimos com que nos atingiram. Sei que não era objectivo do José Freitas ofender espíritos hiper-sensíveis. No entanto, o Aventar sabe que leitor satisfeito é leitor que regressa. E como tal, aqui deixamos o nosso pedido de desculpas, com uma outra imagem para um calendário de 2010. Homenageamos sobretudo aqueles que não gostam de pássaras - porque no fundo, é disto mesmo que tratam todas aquelas críticas.

Catherine Ashton, Baronesa de Ashton of Upholland
Eu sei sei sei mas não resisti...
Traz-me aquela flor do fim da tarde
Subindo as escadas até mim
Traz-me a rosa a glicínia o girassol
Para que eu me iluda e me engane
Traz-me o alecrim e a alfazema
Deixa que pense que é assim
Que se faz um poema.
Não me venham dizer
Que é bom ser velho
Ser velho é uma merda
Que a gente embrulha conforme calha
Em palavras que nada dizem
Em gestos onde tudo falha.
Traz-me aquela flor do fim da tarde
Entre alecrim e alfazema
Traz-me as duas almas de um dilema
Para que eu abrace a ilusão
De criar um poema.
Existe, na língua inglesa, a expressão “look up to”, que significa considerar algo ou alguém com admiração, respeito e estima. Ter como norte aqueles que nos fazem querer ser melhores do que somos, superar as misérias, e transcender as limitações. Mas é certo que nem todos sentem necessidade de procurar faróis, por mais espessa que seja a neblina. Há quem consiga navegar sem nunca hesitar no trajecto a seguir, e sem necessitar de mapa ou guia. Não é o meu caso.
Eu sou uma dessas pessoas para quem a busca de guias não cessa nunca, mas que, como tantas vezes acontece a quem pede de mais, foi fazendo tombar, um por um, todos os mestres, às vezes por razões impossíveis de ignorar, outras porque a quem muito se quer muito se pede, e nem sempre o sujeito das nossas afeições está disposto a retribuir, e muitas vezes apenas por uma exigência furiosa, com muito de capricho infantil.
Fossem as figuras lendárias a quem já não tive a sorte de conhecer ou os mais prosaicos, porque mais acessíveis, com quem pude cruzar-me, procurei desde a infância ir construindo o meu panteão profano, procurando nuns a força, noutros a arte, noutros a bondade, quando não a soma de todos estes atributos.